02 janeiro, 2014



Todo ano que se inicia nos traz uma esperança de renovação.
É inevitável não pensar na possibilidade de ser melhor, de fazer mais, de começar do zero ou de se reiniciar.

Então vem janeiro, o carnaval, os feriados todos, junho, mais um aniversário ... mais de tudo e do todo que todos os anos nos trazem.
Mas esse novo ano há de trazer alguma grande e boa novidade, (e) assim esperamos!

Besteira só esperar. A novidade de mais um ano acontece da nossa capacidade de releitura de nós mesmos, da nossa visão límpida em direção ao novo, da nossa gana de arriscar uma outra possibilidade.

Do contrário, todas as nossas promessas – as grandes e as miúdas – são feitas ao Deus do Nada.
Pensando no que disse o rabino Nilton Bonder, que “muitos dos nossos sacrifícios e esforços são oferendas ao nada”, concluo que não só oferecemos muitas promessas vãs, mas, principalmente uma grande quantidade de ações vazias e abstinências à toa. Oferendas ao nada.

Um dos meus desejos para 2014 é que saibamos ofertar. Oferecer, por exemplo, mais alegria (a energia que assim que ofertada nos retorna) e que nos livremos da culpa que consome, dos medos que paralisam, das questões passadas que envelhecem, do narcisismo (que é uma oferenda patética à solidão) ... Ofertar o que somos de melhor e nos livrar de tudo o mais que nos faz menos, que nos impede de atuar nesse mundo, em qualquer ano, de um modo simplesmente bonito.  

10 julho, 2013



"Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir
entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar;
porque descobri, no caminho incerto da vida,
que o mais importante é o decidir."

Cora Coralina

15 maio, 2013


Noite dessas, trocando frases com um amigo, falamos de Amor.  Porque, apesar da distância, numa ausência de junhos, ainda nos amamos. Porque, sob toda e qualquer circunstância, nosso Amor não esmorece, não se constrange e perdura, indiferente a nós dois próprios que não temos escolha.
Muito se fala sobre o Amor. Que o primeiro amor não se esquece, que quem ama quer a felicidade do outro, que o amor não acaba, que não se pode amar duas pessoas ao mesmo tempo, que quem ama casa, quer filhos, que amor de verão não sobe a serra, que ciúmes é prova de amor...

Tudo mentira. Não existe sentimento mais livre do que o Amor. Não há bula, balança, calendário, bússula que sirva ao Amor. Ele nos vem em diferentes formatos, de variadas maneiras, em todos os níveis de intensidade. Essas dúzias de regras sobre o Amor causam bastante confusão em quem, acreditando nelas, pensam que sua forma de Amor é equivocada então, sendo assim, não deve ser Amor de verdade (- e se perguntam: Será?).

Qualquer Amor é genuíno em sua verdade própria. O Amor em nada se enquadra. Nos preenche,  mas não se molda ao nosso querer.  

Felizes os desajustados que não se encaixam nessas fôrmas que o mundo oferece, os que não acreditam em frases feitas, nem em verdades inventadas. Ovelhas Negras.

Há outros, que pelo equilíbrio geral, nos pomos quites com tantas mentiras consensuais. Mas temos o ouvido atento a um chamado distante que nos convida para um campo vasto, verde, sem cercas.  Pastamos da mesma grama, mas não seguimos o rebanho.






 

 

07 maio, 2013




Lança teu medo
aos ares

Logo
acaba-se o tempo

Súbito
cresce o céu
sobre a grama

Alados os sonhos
voam-se aos pares

Ainda
cheira a flor
ouve o pássaro
tece tua trama

Ainda
tens um amor
e palavras a não calar

Ainda, aqui estás

Sê, seja o que for
Dê do que tiver, até nada restar

23 dezembro, 2012

 
"Mandei lustrar os instantes do tempo,
rebrilhar as estrelas,
lavar a Lua com leite e o Sol com ouro líquido.
Cada ano que se inicia,
começo eu a viver."

Lispector

10 outubro, 2012



quem dera

a Deusa da Oportunidade

menina de cabelos em chamas

noite dessas,

cruzasse a nossa Estrada

e (nós), tocadas

pelas flamejantes tranças

olhos, peles, entranhas

(nos) ardêssemos sem demora

mãos sincopadas na cadência das estrelas

envoltas  na poeira iluminada

sem ponteiros, palavras, tramas

rodeios,  regras, cantadas

(nos) cavalgássemos pela madrugada.

 

24 julho, 2012





antes que me

leve os dedos

o tempo

sigo contando

minutos, junhos, invernos

acumulando

alegrias perecíveis

tristezas dispensáveis

somando

ganhos de valores múltiplos

perdas nem de todo

calculáveis

conto o que me acrescenta

subtraio o que não encanta

até que fiquem os

anéis